Cidade de Camamu

Cidade de Camamu

    Camamu está localizada à margem esquerda do rio Acaraí, distante a 329 Km de Salvador, que segue a tradição luso-brasileira de ter sido construída em dois andares, como Lisboa.
    Na língua indígena Camamu significa "água do peito de mulher", e a cidade teve origem na aldeia de jesuítas, Nossa Senhora de Conceição Macamamu. O local era habitado pelos índios macamamus, quando em 1561, foi criada tal aldeia para civilizar os selvagens. Os jesuítas desenvolveram bastante a área que ganharam do governador-geral Mem de Sá. Plantaram cana-de-açúcar, canela e cacau até 1758, quando foram expulsos do país pelo Marquês de Pombal.
    A cidade tornou-se importante e chegou ser o maior produtor de farinha de mandioca do país, exportando até para a África. Segunda potência logo depois de Salvador, ela faturava alto com suas fazendas e com expansão da madeira para a indústria naval. Tanto que quando D. João V, rei de Portugal, pediu donativos para o casamento de seu filho, Camamu foi a cidade que mais dinheiro enviou.
    Rica, ela atraiu a cobiça de piratas e invasores. O primeiro a aparecer foi um aventureiro inglês, Robert Whithrington, que no séc. XVI, não obtendo sucesso em tomar Salvador, velejou até Camamu para tentar invadi-la; não conseguiu nem desembarcar, já que foi morto com seus tripulantes pela população, com ajuda dos índios. Depois vieram os holandeses: em maio de 1624 eles tomaram Salvador e aproveitaram para invadir Camamu. Em 1627, com a chegada de Maurício de Nassau, a situação se agravou: a cidade sofreu novos ataques, mais violentos. Ela foi saqueada e teve suas plantações incendiadas, num estrago dos demônios.
    Escravos, jesuítas, índios e senhores se uniram para obstruir com pedras a passagem para o porto. Eles entulharam os canais de acesso num trabalho tão bem feito que se mantém até hoje. Durante a maré baixa, os barcos que chegam são obrigados a ziguezaguear no canal para atingir o porto, aqueles que não conhecem o caminho correm o risco de espatifar-se nas pedras empilhadas por nossos ancestrais.
    Sua igreja matriz, construída em 1802, domina a paisagem e nas ladeiras quase verticais ninguém precisa de aeróbica para ficar em forma. Bucólica, Camamu anda bem devagar, os bancos atendem das 8 às 14 hs e o comércio faz uma pausa para o almoço.
    O mercado popular funciona em frente ao porto. Vende-se de tudo: peixe salgado, azeite de dendê, carne de sol, vários tipos de farinha, pasta de dentes, pentes de plástico coloridos e outros objetos de necessidade básica, como dezenas de tipos de pingas recheadas com cobras, guaraná, carqueja, uma raiz chamada caatinga de porco e outras ervas.  O dia quente do mercado é sábado. Barcos de toda região chegam bem cedinho para comprar e vender de literatura de cordel a bucho, de flores a cestos para boi. Os auto-falantes vão recitando a propaganda do comércio local que se mistura à música de carnaval tocadas em gravadores, num grande acontecimento.
    Entre bananas-da-terra e arraias, o povo põe a conversa em dia e faz suas transações comerciais. Por R$ 2,00 pode se adquirir uma lamparina feita com a legítima lata de óleo de soja.
    Camamu tem apenas um hotel (o Rio Acaraí, tel.: (0**73) 255-2315) e algumas pousadas que oferecem bastante conforto.