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NINJA E ACONCÁGUA
Uma aventura possível!
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Esta idéia surgiu no ano passado, quando eu e Mariluci, minha esposa, fizemos uma viagem de carro até Buenos Aires, retornando pelo interior da Argentina, saindo por Foz do Iguaçu. Ficamos encantados com a qualidade das estradas e começamos a pensar em um passeio de moto por aquelas paragens.
Após o retorno, conversando com um casal amigo que também é apaixonado por motos, a idéia se materializou e começamos a planejar o que seria a realização de um grande sonho: fazer uma viagem internacional de moto e ver de perto o pico mais alto da América do Sul!
Planejamos sair em janeiro, pois o período de férias facilitaria a vida de todos, além de ser possível cruzar a Cordilheira do Andes, sem problemas de obstrução de gelo nas estradas.
Lemos algumas reportagens na Duas Rodas e em outras revistas sobre o assunto, fiz contato pela internet com um motociclista de São Paulo ( Sandro tenere@mtecnetsp.com.br ), que respondeu prontamente a algumas dúvidas. Pelo que pesquisamos, vimos que a tarefa não parecia ser tão difícil. Já que o objetivo era a estrada, concluímos que teríamos muitas pela frente!
Ao fazer este relato, procurei dar um enfoque não visto em nenhuma reportagem de meu conhecimento. Achei importante citar detalhadamente a parte de gastos dia a dia, bem como as distâncias percorridas, de forma a subsidiar futuros planejamentos. Qualquer informação adicional, é só contatar: jferrazo@uninet.com.br ou jferraz@predialnet.com.br

08/01/00 SÁBADO 1º DIA SÃO PEDRO DA ALDEIA - RIO CURITIBA
(Odom. 9545 10177milhas) ( 1011km/dia)
Estradas: VIA LAGOS>BR 101>BR 116
COMBUSTÍVEL: R$ 65.03
ALIMENTAÇÃO: R$ 20.00
HOTEL: R$ 78.00
TOTAL(1): R$ 187.00
Etapa tranqüila, sem sustos. Saímos às 05:00 de São Pedro da Aldeia. As motos não pagam pedágio na Rio São Paulo. Entramos pela Carvalho Pinto e Aírton Senna, antes de chegarmos à São Paulo. Marginal Tietê com razoável movimento e alguns buracos. Rodovia Régis Bittencourt em obras, com trechos alternando entre ótimos e sofríveis. Chegamos à Curitiba com chuva, a partir da serra de Curitiba ( 120 km antes da cidade) . Pernoitamos no Hotel Lira, às margens da BR 116, em Curitiba. Jantamos no próprio Hotel uma canja de galinha e sopa de feijão. Bom café da manhã e quartos com bom nível de conforto.

09/01/00 DOMINGO 2º DIA CURITIBA UNIÃO DA VITÓRIA
ERECHIM PASSO FUNDO CARAZINHO IJUÍ
( Odom. 10636milhas) (142.44km/dia)
Estradas: BR 476( Rod. do Xisto)> BR 153( Rod. Transbrasiliana) >RS 135>
BR 285
COMBUSTÍVEL: R$ 50.44
ALIMENTAÇÃO: R$ 20.00
HOTEL: R$ 72.00
TOTAL(2): R$ 142.44
Saída de Curitiba, passando por Araucária, pela BR 476. Trecho próximo à Concórdia bastante ruim, de aproximadamente 20 km. Trecho entre Passo Fundo e Ijuí excelente. Chegamos à Ijuí com bastante chuva.

Nas estradas estaduais gaúchas privatizadas não se paga pedágio (motos). Pernoitamos no Hotel Vera Cruz, ao preço de R$ 50.00 a diária para casal. Contamos com a gentileza e a atenção do pessoal da cidade em indicar um hotel para pernoite. Bom hotel.
10/01/00 SEGUNDA-FEIRA 3º DIA IJUÍ SÃO BORJA (FRONTEIRA) ALVEAR (ARG ) - PASSO DE LOS LIBRES CURUZU VILLA FEDERAL - PARANÁ
( Odom.11175M) (708km/dia)
Estradas: BR 285>ARG 14>ARG 127>ARG 12
COMBUSTÍVEL: R$ 33.90
ALIMENTAÇÃO: R$ 40.00
HOTEL: R$ 100.00
MULTA: R$ 80.00
TOTAL(3): R$ 253.00
O trecho entre Ijuí e São Borja tem asfalto de boa qualidade e lindas paisagens. A fronteira em São Borja é bem montada, com instalações preparadas para atender aos integrantes do Mercosul. A passagem foi lenta ( cerca de 1.5 horas para fechar os procedimentos e fazer um lanche). Ficamos conhecendo um carabineiro da argentina que adora motos e nos deu algumas dicas de como andar nas estradas. Só não frisou que havia guardas com radar próximo à Uruguaiana. O início da viagem em solo argentino foi com muito calor e, próximo à Passo de

Los Libres, pegamos uma chuva forte com ventos laterais muito fortes, vindo do lado Uruguaio, nos obrigando a reduzir a velocidade para cerca de 40 km/h, para não ir para o meio do mato. A Ninja se mostrou mais sensível aos ventos laterais que a Vulcan, em função das carenagens e das mochilas que estávamos levando. Cerca de 60 km depois de Uruguaiana ( Passo de Los Libres), estávamos à cerca de 120 km/h em uma estrada que mais parecia um tapete, viajando despreocupadamente e solitariamente, pois não havia quase nenhum carro trafegando pela estrada, quando fomos parados em um posto de fiscalização dos carabineiros. O Sargento nos abordou e disse que estávamos com excesso de velocidade , à 119 km/h e que deveríamos ser multados. Fomos para a cabine e ele nos disse que a multa seria de 300 pesos argentinos para cada um ( U$ 300.00) .Quase caímos para trás! Falamos que era muito alta e que isso desmontaria nosso esquema de férias. "Choramos" uma redução, o Guilherme adiantou que éramos "de Marinha" e se ele não poderia fazer nada por nós. Então apareceu um jovem Tenente que se sensibilizou e deixou a multa por 80 pesos ( 40 para cada moto ). Até então pensávamos que o negócio seria adiantar uns trocados para ajudar no lanche deles, mesmo ouvindo o rádio do carro da patrulha, que estava estacionado próximo, avisar a velocidade que os veículos passavam pela estrada. Então o Tenente preencheu o talonário e eu assinei a multa. Vimos que era para valer e, se havia alguma intenção de propina, eles não estavam interessados em nosso dinheiro. O Tenente avisou que no prazo de 48 horas eu não poderia cometer qualquer tipo de infração em solo argentino. Entendemos o recado e, a partir daí, passamos a observar o limite de velocidade nas estradas, que, em geral, é de 110 km/h. Continuamos a viagem sem problemas e não encontramos mais nenhum carabineiro disposto a arrancar uma "contribuição voluntária" de algum brasileiro para a manutenção da frota dos carabineiros.
A chegada à Cidade de Paraná foi à noitinha (21:00) e pegamos cerca de 20 km de estrada bastante ruim, com o pavimento se soltando e causando desnível (ARG 12). Este trecho de estrada está em obras. Na cidade não foi muito fácil achar um hotel. Depois de algumas perguntas em postos de gasolina encontramos um hotel de qualidade razoável ( Hotel Residencial Don Marcos) que nos cobrou U$ 50.00 por casal, sem café da manhã. Comemos uma boa pizza em um restaurante próximo. Observamos que a maioria dos motociclistas de Paraná não utilizam capacete e existe uma quantidade enorme de pequenas motos, pilotadas por menores e adultos em geral.
11/01/00 TERÇA-FEIRA 4º DIA PARANÁ > SANTA FÉ > SAN FRANCISCO > VILA MARIA > RIO CUARTO
(Odom. 11472milhas) (570 km/dia)
Estradas: ARG 9> ARG 158
COMBUSTÍVEL: R$ 56.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 52.00
HOTEL: R$ 80.00
TOTAL(4): R$ 188.00
Na saída de Paraná, cruzamos o rio Paraná em um túnel que passa por baixo deste grande rio. Pagamos um pedágio de 2 pesos por moto. Tomamos um gostoso café da manhã em um posto Shell Select, na cidade de Paraná e rumamos para San Francisco e Villa Maria. Estradas ótimas que cortam o interior da Argentina, muito bem mantidas e de excelente qualidade. Um pouco antes de Vila Maria, paramos em uma pequena localidade para almoçar e fomos muito bem atendidos pelo dono do estabelecimento (Sr. Pablo) que nos indicou alguns pratos da região. Realmente a assessoria foi ótima, pois a comida foi de excelente qualidade. Tivemos a oportunidade de conhecer três delegados de polícia da região, que estavam altamente preocupados em saber a temperatura das garrafas de cerveja do bar do restaurante, pois a impressão é de que já haviam tomado "todas"! Um deles fez questão de nos pagar uma garrafa de "quilmes", ao sabermos que éramos da Marinha. Foi cordial, embora o seu estado etílico o recomendasse a ir para casa curtir uma "sesta"!
Saímos deste restaurante com a indicação de um bom hotel em San Luis, pois nossa intenção seria pernoitar naquela cidade. Porém, o tempo não estava muito favorável ( já havíamos apanhado um pouco de chuva pela manhã) e a tarde continuava quente e nublada. Próximo ao vilarejo de General Cambrera, notamos mais próximo de nós uma frente escura de nuvens, ameaçando muita chuva e pauleira. Colocamos novamente as roupas de chuva e nos preparamos para a "chuveirada". Então o vento começou a ficar cada vez mais forte, juntamente com a chuva. Era um CB (cumulus nimbus) daqueles tratados à "Toddy" e, pior, sem nenhum "morrinho" para segurar um pouco a força dos ventos. O vento forte entrava pelas "duas horas", ou na linguagem naval, pela bochecha de boreste. Estavamos mantendo cerca de 80 km/h e o vento foi ficando cada vez mais forte. Reduzi para uns 40 km/h , mantendo 3ª marcha, pois se reduzisse mais o vento certamente me jogaria no chão. Pisca alerta ligado, continuei, pois sabia que o vendaval duraria uns 15 a 20 minutos. O Guilherme me seguia, também com o pisca alerta ligado. Os poucos carros com os quais cruzávamos, trafegavam bem devagar e com os alertas também ligados. Um caminhão que vinha atrás de nós, percebeu a situação em que nos encontrávamos e veio "escoltando". Certamente pensou "Se estes caras se "estabacarem" por aqui, eu posso tentar ajudá-los". Certamente não machucaríamos, pois a velocidade era baixa, mas para levantar as motos com aquele vento certamente seria um esforço muito grande e a ajuda seria muito bem vinda. O vento estabilizou em uma velocidade de mais ou menos 80 km por hora e depois diminuiu um pouco. Deu para continuar andando devagar até aparecer um pequeno vilarejo e um providencial posto de gasolina. Ficamos lá por cerca de 30 minutos e depois continuamos para Rio Cuarto, onde decidimos pernoitar. A roupa de chuva se mostrou eficiente e, mesmo com aquele dilúvio, segurou bem. As mochilas é que não seguraram a barra. Molhamos um pouco de roupas que se encontravam no interior, mesmo embrulhadas em sacos plásticos.
Depois ficamos sabendo que o temporal foi considerado um "mini-tornado" e que pode acontecer nesta época do ano naquela região, devido ao forte aquecimento diurno e à umidade. Em Córdoba, cidade próxima, chegou a ter chuva de granizo de tamanho considerável, causando prejuízos. Em Rio Cuarto, uma boa cidade do interior, encontramos sem dificuldade, um bom hotel( Hotel Libertador), que nos cobrou 40 pesos por casal, com direito ao café da manhã (café com leite e uma "média luna", que nada mais é do que um "croissant"). Saímos à noite para comer e acabamos ficando em uma Pizzaria que oferecia rodízio de pizzas, para a alegria da Elaine! Comemos pizza até não agüentar mais ver! Fomos dormir sonhando com o filme "TWISTER". É, a coisa é mais bem mais real do que se pensa! Vendaval agora na ponte Rio-Niteroi é sopa!
12/01/00 QUARTA-FEIRA 5º DIA RIO CUARTO MERCEDES SAN LUIS - MENDOZA
(Odom. 11781milhas) (702 km/dia)
Estradas: ARG 8 > ARG 7
COMBUSTÍVEL: R$ 54.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 60.00
HOTEL: R$ 64.00
TOTAL(5): R$ 178.00
Saímos de Rio Cuarto pela manhã e pegamos excelentes estradas, com retas longas e paisagens lindas, com campos de girassóis, milho, soja e demais produtos agrícolas. Todas estas culturas mantidas através de mecanização.

A partir de San Luis, a paisagem muda um pouco, permanecendo a planície mas não havendo mais culturas. A vegetação passa a ser algo parecido com a nossa caatinga e nota-se um clima mais árido. A distância entre San Luis e Mendoza é de 264 km de excelente estrada (ARG 7) sendo que nos primeiros 150 km a partir de San Luis não existe um só posto de gasolina. Na saída do último posto YPF existe um pequena placa informando que "Nos próximos 150 km non existe puesto de servicio" ! Não prestamos a devida atenção e a moto do Guilherme, que já estava com uns 80 km rodados desde o último abastecimento, entrou na reserva bem antes de chegarmos ao lugarejo de La Paz. Restando ainda cerca de meio litro de gasolina em seu tanque, ele decidiu parar perto de uma casa de um morador local, para se informar qual a distância do próximo posto de abastecimento. Um Sr. nos atendeu e disse que faltava cerca de 20 km até o próximo posto. Perguntamos então se ele poderia nos vender um litro de gasolina, caso ele tivesse, para garantir a chegada da Vulcan. Simpático, ele nos cedeu uma garrafa de "coca-cola" do precioso líquido. Ao ver a cor do combustível pensei "Espero que o motor da Vulcan consiga "digerir" este líquido escuro"! Por sorte não tivemos problemas e 20 km mais adiante lá estava um posto YPF!

Fizemos um lanche e nesta oportunidade conhecemos dois argentinos que estavam indo para o Perú, em uma Honda Shadow. Saímos dali e rumamos para Mendoza, onde chegamos ainda cedo (por volta de 16:00). Havíamos recebido a indicação de um hotel ao entrarmos na província de Mendoza, onde nos foi entregue um prospecto com um mapa da cidade. Lá chegando, localizamos com facilidade, o Hotel Embajador, situado à rua Juan B Justo, 365. Bom hotel, que nos cobrou U$ 32.00 por casal, com direito às "media lunas" e o café com leite pela manhã. Hotel com ar condicionado, tv a cabo e garagem. Ao chegarmos, observamos que o vazamento de gasolina que estava ocorrendo pela torneira da Vulcan, havia aumentado bastante e seria necessário sanar esta pane. Os rapazes donos do Hotel, que também já tinham sido "de marinha", nos informaram a localização de uma oficina que poderia consertar Kawasaki. Chegamos lá e fomos muito bem atendidos por um mecânico que deveria se chamar de artesão, pois era muito inventivo nas soluções. A moto do Guilherme também estava com o cabo do velocímetro quebrado desde a cidade de Paraná e o nosso artesão conseguiu safar a pane! Conseguiu também localizar o defeito na válvula e saná-lo o problema estava no diafragma. Foi substituído e ficou legal. Enquanto esperávamos o conserto, ficamos conversando com um rapaz da cidade, que nos indicou um excelente restaurante para irmos à noite. Chamava-se "Las Tinajas Restaurants" e, realmente, foi o melhor restaurante por onde passamos. Sistema "Buffet" e por U$ 7.00 por cabeça, nos empanturramos!
Mendoza é uma cidade linda, bem cuidada, e turística. Vale a pena conhecer.

13/01/00 QUINTA-FEIRA 6º DIA MENDOZA PORTILLO LOS ANDES
(Odom. 11976milhas) (302 km/dia)
Estradas: ARG 7>CHI 60
COMBUSTÍVEL: R$ 28.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 32.00
HOTEL: R$ 90.00
TOTAL(6): R$ 150.00
Pela manhã saímos do Hotel por volta das 07:30 e aproveitamos para tirar umas fotos da cidade, que tem uma porção de praças que justificam uma parada para registrar a passagem. Por volta das 08:00 estávamos pegando a ARG 7 em direção à Cordilheira, objetivo numero um da viagem!

O tempo se apresentava nublado e a temperatura estava gostosa, por volta dos 20 graus. Ao começarmos a subida, a temperatura começou a baixar e também a chuviscar. A nossa preocupação era não nos molharmos pois a experiência que tivemos quando subimos a serra de Ubatuba em julho do ano passado, por ocasião do Mega Cycle, mostrou que enfrentar frio intenso molhado deixa o quadro bem mais crítico. Paramos para nos equipar. Inicialmente usei uma luva de couro por cima de uma luva de lã. Este arranjo não se mostrou prático, pois ficou muito apertado e a circulação nos dedos ficou ruim além de tirar muito a sensibilidade. Resolvi seguir o conselho da Mariluci e utilizar uma luva cirúrgica por cima da de lã. O arranjo se mostrou eficiente. O trecho de frio intenso durou uns 30 minutos (temperatura de uns 7 graus) e somente sob as nuvens, ou seja, tão logo a nebulosidade desapareceu, a temperatura aumentou e pudemos voltar a utilizar somente as roupas de couro que já estávamos acostumados.

A localidade de Uspallata parece um oásis no interior da Cordilheira, pois tem árvores típicas daquela região e uma infra estrutura adequada para atender o turista. Paramos em um posto Shell ( Select ) simplesmente nota dez onde mais uma vez o sandwich de presunto, iogurte e suco de "durazno" ( pêssego ) se mostraram fantásticos !
A paisagem continuou cada vez mais linda, mostrando o rio Mendoza serpenteando entre os morros e o cume dos picos mais altos cobertos de neve.
Alcançamos a localidade de Puente del Inca, base de operações para quem quer se aventurar na escalada do pico mais alto da América do Sul. Esta pequena vila tem uma pousada e umas duas lanchonetes. Tiramos uma foto e fomos em frente. Um pouco mais acima fica o posto da Aduana, onde são cumpridos os procedimentos de fronteira entre o Chile e a Argentina. Demoramos cerca de 30 minutos para preencher os papéis. Vale um aviso: a pista de subida é perigosa para motos pois existe muito óleo gotejado dos motores dos caminhões que sobem carregados e, com a altitude, sofrem bastante para vencerem a parte final da Cordilheira. Tem que se tomar cuidado nas curvas.
Continuamos em frente e, cerca de 1 km adiante, nos deparamos com uma visão fantástica do Aconcágua! A estrada passa na altitude de 3100 metros e o topo do "bicho" está a exatos 6959 metros acima do nível do mar! A face que se vê é a sul, a mais perigosa, sempre com gelo eterno e um convite ao desafio! Ficamos um bom tempo admirando-o e esta visão está gravada para sempre na minha memória! Valeu ! Uma experiência interessante que fizemos, eu Luci e Guilherme (a Elaine preferiu ficar na estrada com as motos), foi subir uma pequena encosta para se ter uma visão mais privilegiada e poder tirar mais umas fotos. Ao começarmos a subida observamos uma certa dificuldade de respirar e sentimos o coração acelerar um pouco mais. Emoções a parte, a realidade é que se faz necessário uma

adaptação naquele ambiente, para se aventurar em escaladas ou caminhadas por aquele montes. Entende-se agora o porque de se desafiar o "grande monte" e o fato de existirem um grande número de homens que perderam a vida tentando chegar a 7000 de altitude por meios próprios! É possível mas não é tão fácil como se pensa!
Ao voltarmos da encosta, vimos dois alemães, que estavam com duas motos Honda TransAlpe, admirando o gigante branco. Ao observar a placa da Alemanha e o símbolo da União Européia, puxei conversa e fiquei sabendo que vieram da Europa de avião, até Buenos Aires e pretendiam conhecer os lagos chilenos e Ushuaia. Sem dúvida um grande passeio!
Continuamos viagem e logo mais à frente chegamos ao túnel Cristo Redentor, que liga os dois países. Paga-se um pedágio de 2 pesos argentinos (para motos) e se tem acesso ao túnel de cerca de 3.2 km. Interessante é a temperatura em seu interior, que mais se parece com um "freezer", pois é muito baixa (dentro do túnel não tem sol, portanto...! ). No meio do túnel existe uma placa avisando "bem vindo ao Chile", informando a fronteira real entre os dois países.
Logo depois chegamos à Aduana chilena, onde preenchemos mais alguns papéis e entregamos outros. Detalhe: em todos os dois postos os fiscais e funcionários foram muito educados, até facilitando a vida da gente, que estávamos de moto. Logo depois da Aduana, vem Portillo, uma linda estação

de esqui dos chilenos e a mais fácil de ser alcançada por via rodoviária, por brasileiros. Muito linda, mesmo no verão, e a existência de um lago torna a paisagem ainda mais atraente. Em seguida vem os "Caracolles, uma descida realmente íngreme, com uma sucessão de 31 curvas de 180º, que te obriga a faze-las em terceira ou segunda marcha. Um riacho de águas cristalinas provenientes do degelo serpenteia entre as pedras, dando um toque bucólico ao lugar.

A descida para o lado chileno é bem mais acentuada que a do lado argentino e logo mais abaixo paramos em um posto de serviço para reabastecer e fazer um lanche. Pudemos observar o preço da gasolina, bem mais em conta que na Argentina (é a metade do preço!). Continuamos a descida e chegamos à cidade de Los Andes onde, após algumas perguntas e uma ajuda providencial de um motociclista local, achamos o Hotel Los Andes, de muito bom padrão, onde o gerente, muito simpático, fez uma pequena diferença na diária, deixando o preço final para U$ 45.00 o casal. Muito bom hotel, com tv a cabo e boas instalações. Por ser ainda cedo (17:00) e com o sol alto, resolvi aproveitar uma mangueira de água que estava disponível no estacionamento e dar uma lavada na Ninja. O Guilherme preferiu descansar. Por volta das 19:00 saímos para procurar um restaurante para jantarmos. Localizamos o restaurante "Baia Pacífico" próximo à praça central da cidade. Realmente é o lugar onde se come um excelente peixe e a um bom preço. Experimentamos uma tal de "reineta", um excelente peixe sem espinhos e muito saboroso. A noite foi tranqüila, com um céu lindo e claro, pois Los Andes está a 1000 metros de altitude, em relação ao nível do mar.
14/01/00 SEXTA-FEIRA 7º DIA LOS ANDES - SANTIAGO
(Odom. 12061 milhas ) (136 km/dia)
Estradas: CHI 57
COMBUSTÍVEL: Sem abastecimento
ALIMENTAÇÃO: R$ 50.00
HOTEL: R$: 80.00
TOTAL(7): R$ 130.00
Saímos no outro dia pela manhã em direção a Santiago, objetivo número dois! A paisagem variava entre vinhedos e plantações de pêssego. A estrada, de muito boa qualidade, estava em obras no trecho próximo à Santiago e deu para observar o cuidado dos engenheiros chilenos em fazer uma boa estrada. Realmente os nossos técnicos podiam fazer um estágio com eles!
Fato interessante aconteceu quando da chegada à Santiago. O gerente do hotel em Los Andes nos recomendou um no centro da cidade, onde ele sempre ficava, por ser bem localizado e não ser caro. O nome do hotel era "City Hotel" e ficava na rua Compañia Merced, no centro da cidade. Como disse, estávamos chegando à cidade e resolvemos dar uma parada em uma esquina para darmos "uma navegada" no mapa, para não perdermos tempo, pois já era cerca de 10:30 e estava um calor bastante incomodativo, típico de um dia de verão no Rio e a gente estava com mochilas e roupas de couro! Estávamos parados quando estacionou um taxi do nosso lado e a senhora que estava como passageira perguntou para onde estávamos indo. Não entendi muito bem de início mas em seguida captei a mensagem e disse "City Hotel, na Calle Compañia Merced, centro". A senhora então olhou para o motorista e, em seguida, olhou para nós e disse - "Siga-nos". Não pensamos duas vezes! O taxi nos deixou em frente ao hotel! Ficamos simplesmente sem palavras para agradecer! Vimos que sem esta ajuda iríamos chegar, mas não seria nada fácil, pois o trânsito em Santiago tem certas particularidades que somente depois de algum tempo se pega a manha! Tem rua que, mesmo sendo mão você não pode entrar, tem outras que são somente de pedestre e os guardas estão por toda parte. A ajuda foi providencial!
Nos instalamos (o hotel é muito bom, com amplos quartos, garagem, bem localizado e de bom preço U$ 40.00 para o casal, com direito ao café da manhã). Por volta do meio dia fomos conhecer a cidade, de moto. Não sentimos dificuldade no trânsito em si. Classifico o do Rio de Janeiro mais agressivo. As ruas são bem sinalizadas e não há buracos. A única "manha" é o esquema de trânsito no centro, que tem carros demais, taxi sobrando e muito ônibus. Mas para nós, de moto, não tivemos maiores problemas.
Conhecemos vário pontos: Cerro São Cristovam, Cerro Santa Lucia, Las Condes e inúmeros outro pontos. Em poucas palavras: a cidade agrada à primeira vista e vale a pena ser conhecida. O cuidado dos chilenos na manutenção de lugares públicos é notável!
Ficamos a sexta e o sábado em Santiago e domingo pela manhã saímos para Viña del Mar.
A distancia de São Pedro da Aldeia até Santiago totalizou 2516 milhas, correspondendo à 4025,60 km rodados em sete dias de viagem.
15/01/00 SÁBADO 8º DIA SANTIAGO
Estradas: cidade
COMBUSTÍVEL: R$ 20.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 60.00
HOTEL: R$ 80.00
TELEFONE: R$ 40.00
PERFUME: R$ 120.00
TOTAL(8): R$ 220.00
Neste dia não saímos de moto. Caminhamos muito e usamos o metrô, por sinal, de excelente qualidade.

16/01/00 DOMINGO 9º DIA SANTIAGO VIÑA DEL MAR
(Odom. 12180 milhas) (190 km/dia)
Estradas: CHI 68
COMBUSTÍVEL: não abasteci
ALIMENTAÇÃO: R$ 30.00
HOTEL: R$ 90.00
TOTAL(9): R$ 120.00
A distância entre Santiago e Viña del Mar é de aproximadamente 130 km em uma estrada muito boa e pedagiada (inclusive para as motos no Chile elas pagam!).
Chegamos em Viña del Mar e logo no início descobrimos um hotel que nos ofereceu hospedagem à U$ 45.00 o casal. Topamos e nos instalamos pois a idéia era não perder tempo, uma vez que o planejamento seria ficarmos apenas no domingo neste objetivo! Pegamos as motos e voltamos a Valparaiso, para conhecer esta cidade portuária, sem grandes atrativos turísticos. Fomos ao cais do porto, pois tínhamos uma indicação de um excelente restaurante que oferecia um peixe ótimo.

Achamos o restaurante, mas, em função do horário (12:00) e ser dia de eleição para presidente, estavam todos fechados. Ficamos na saudade! Aproveitamos para cumprimentar o velho oceano Pacífico, limpo e gelado!

Objetivo número três alcançado! Tiramos umas fotos e voltamos para Viña del Mar, para alcançar o objetivo número quatro (foto em frente ao relógio de flores!).
Circulamos pela área litorânea até uns 15 km em direção ao norte, para conhecermos as praias e termos uma idéia de como é este balneário turístico tão badalado. Realmente em termos de infra estrutura turística, eles estão bem desenvolvidos e preparados. A cidade é bonita e tem como acolher o turista. Quanto às praias, são legais mas as nossas dão de dez! A água é fria e tem muitas pedras. Mas é a praia que eles tem e a valorizam bastante!
Encontramos alguns (dois) carros com placa do Brasil e, ao passarmos em frente a um hotel, vimos umas cinco motos com placas de Roraima! Esta turma lá do norte realmente gosta de viajar!
Por causa da eleição não encontramos restaurante aberto e tivemos que nos contentar com lanches. Vai uma dica: nunca coma no "Burger King". Se tiver que encarar um "fast food" prefira o velho "MacDonalds" que, sem dúvida é o melhor!
Dormimos muito bem e, no outro dia, iniciamos o retorno.
17/01/00 SEGUNDA-FEIRA - 10º DIA - VIÑA DEL MAR - SANTIAGO
(Odom. 12376 milhas) (360 km/dia)
Estradas: CHI 68
COMBUSTÍVEL: R$ 35.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 18.00
HOTEL: R$ 80.00
TOTAL(10): R$ 133.00
Neste dia levantamos às 06:30, tomamos café e nos preparamos para o longo retorno. Paramos em um posto de gasolina ainda dentro da cidade de Viña del Mar, para abastecer as motos, um posto Shell Select de muito boa apresentação. No Chile, para abastecer motocicletas, normalmente o frentista solicita que a gente saia da moto e a coloque no descanso lateral ou central, certamente como medida de segurança. O Guilherme tinha o hábito de colocar a carteira entre o banco e a virilha, enquanto abastecia e, às vezes não retirava o capacete, para ganhar tempo e ficar com menos coisas nas mãos. Muito bem, assim o fez, como já havia feito inúmeras vezes. Terminamos o abastecimento e pegamos a estrada para Los Andes, distante cerca de 120 km de Viña del Mar. A temperatura estava muito agradável e tudo corria bem. Ao chegarmos ao pedágio, cerca de 80 km de Viña del Mar, combinamos que o Guilherme pagaria aquela etapa. Observei o Guilherme, que estava a minha frente colocar as mãos na cabeça, dizendo que havia perdido os documentos. Paguei os pedágios e fomos ver o que havia acontecido. Fato: havia perdido a carteira, com os documentos da moto, as carteiras de identidade sua e da Elaine, sua carteira de motorista brasileira e cerca de uns R$ 700.00, entre dólares e reais. Não sabíamos onde poderia ter ocorrido a perda, apenas que seria do posto até o pedágio. Voltamos ao posto, perguntamos aos frentistas e ao gerente do posto e nada. Neste ínterim, um Tenente da Marinha chilena, que estava abastecendo seu carro, percebeu que éramos brasileiros e que estávamos com problemas, se aproximou e tomou conhecimento do fato. Como já havia passado pelo Rio de Janeiro e também soube que éramos da mesma farda, nos orientou a irmos à delegacia registrar a ocorrência. Foi conosco e nos auxiliou muito. Tivemos que ir a Valparaiso, na aduana, que nos informou não haver problemas, uma vez que já havíamos feito o registro policial. Me ocorreu que não poderíamos cruzar a Argentina sem as carteiras de identidade e o documento da moto. Fomos ao Consulado da Argentina, que era próximo e o funcionário nos informou que seria necessário voltarmos à Santiago e procurarmos o Consulado brasileiro, para conseguirmos uma identidade provisória. Assim fizemos. Voltamos para Santiago, fomos direto para o nosso velho hotel e às 17:00 estávamos na porta do Consulado ( Mac Iver, 225/15º, Centro), para sabermos dos procedimentos. Vimos que o expediente era até às 16:00, mas mesmo assim tocamos a campainha. Um senhor com sotaque da região nordeste nos atendeu e pediu para voltarmos no dia seguinte, às 08:00. Assim fizemos.
18/01/00 TERÇA-FEIRA - 11º DIA - SANTIAGO LOS ANDES
(Odom. 12426 milhas) (80 km/dia)
Estradas: CHI 57
COMBUSTÍVEL: não abasteci
ALIMENTAÇÃO: R$ 20.00
HOTEL: R$ 80.00
TOTAL(11): R$ 100.00
Na terça, logo de manhã lá estávamos nós. O expediente, na realidade, começava às 09:30 e tivemos que esperar. Fomos orientados a fazer um registro na Polícia Internacional e a tirar duas fotos tamanho 4:5. Voltamos e, às 16:30 a "Autorização para Retorno" estava pronta! Vale ressaltar a atenção e o carinho do pessoal do Consulado, especialmente do Sr. Derival de Morais, que intercedeu para que os documentos ficassem prontos no mesmo dia.
Detalhe: enquanto esperávamos o pronto dos documentos, resolvi despachar pelo correio 5 kg de roupas, da nossa bagagem, para dar uma "aliviada" na mochila da Mariluci. O despacho ficou em U$ 20.00 e ajudou bastante, pois descobrimos que levamos coisas desnecessárias e, em uma viagem destas, quanto menos bagagem melhor!
Bem, saímos do Consulado, acertamos as contas no hotel e partimos em direção a Los Andes. Lá chegando, ainda de dia, achamos um outro bom hotel ( Hotel Don Ambrósio Av. Argentina, 258) mais barato ( U$ 30.00 o casal ) e mais perto do restaurante Baia Pacífico, onde o delicioso peixe nos esperava!
19/01/00 QUARTA-FEIRA - 12º DIA - LOS ANDES MENDOZA SAN LUIS - VILLA MERCEDES
(Odom. 12830 milhas) (646 km/dia)
Estradas: CHI 60>ARG 7
COMBUSTÍVEL: R$ 66.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 36.00
HOTEL: R$ 64.00
TOTAL(12): R$ 166.00
Levantamos, tomamos um bom café (para os padrões chilenos!) e começamos a subida da serra. Cerca de uns 20 km/h estrada acima, estávamos nos aproximando de um posto dos carabineiros e vimos as placas de limite de velocidade, reduzindo de 80 para 50 km/h. Começamos a reduzir e o Guilherme estava na frente. Quando passamos a placa de 50km/h, devíamos estar a uns 70 km/h, chegando mais perto do posto, observei o guarda com um radar na mão. Ele fez sinal para pararmos e então pensei "De novo, não! Mais multa eu não aguento!". O Guilherme foi logo "chorando" as agruras de sua vida de motoqueiro sem documentos e sem "plata"! Mostrou os documentos do Consulado e contou sua história triste! O guarda deu um sorriso e nos desejou um bom retorno. Ficamos fãs dos carabineiros chilenos! Passamos na Aduana chilena sem problemas, cruzamos de novo o "freezer" e

demos uma parada em Puente del Inca, para observarmos melhor o lugar. Encontramos quatro brasileiros de Cachoeira Paulista, que estavam se preparando para escalar o "gigante branco" e ficamos conhecendo também um ex motoqueiro e piloto aposentado das Aerolineas Argentinas e da Aviação Naval Argentina, o Jorge Mário Cartechini. Morador de Mendoza, foi muito simpático, nos "ciceroneando" pelas termas de Puente del Inca. Fomos às Fontes Termais, que são impressionantes, pois as águas são quentes e com forte cheiro de enxofre. No interior dos banheiros encontramos um outro brasileiro bem folgado, deitado em uma das banheiras, se esbaldando naquelas águas cristalinas e sulfurosas. Muito exótico o lugar e confesso que nunca tinha visto nada igual. Nos despedimos com a promessa de voltarmos à Mendoza para conhecermos melhor a região.

Terminamos a descida da cordilheira e pegamos a estrada para San Luis. Enfrentamos um calor fantástico (na parte da tarde) e em uma das paradas para beber muita água, encontramos três simpáticos caminhoneiros brasileiros que se surpreenderam com a distância que estávamos de casa. Cruzamos com eles várias vezes pela estrada pois, embora nossa velocidade fosse maior, parávamos a cada uma hora e meia de viagem, para repor a água do corpo e aliviar o "traseiro", que já estava começando a ficar sensível no final de cada tarde!
Alcançamos Villa Mercedes, onde pernoitaríamos.
20/01/00 QUINTA-FEIRA - 13º DIA - VILLA MERCEDES RIO CUARTO VILLA MARIA SAN FRANCISCO SANTA FÉ PARANÁ LA PAZ
(Odom. 13315 milhas) (760 km/dia)
Estradas: ARG 8>ARG 9>ARG 18>ARG 12
COMBUSTÍVEL: R$ 100.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 44.00
HOTEL: R$ 40.00
TOTAL(13): R$ 184.00
O hotel que pernoitamos foi considerado um dos piores que utilizamos. Estávamos procurando um hotel de preço "mais em conta" e preferimos ficar neste que tinha, segundo o gerente, ar condicionado. É claro que não funcionava, o banheiro era "cachorro chora" e o barulho da rua incomodava um pouco. Mas conseguimos dormir. É interessante observar que, em cidades que não são turísticas, não é muito fácil encontrar bons hotéis a preços razoáveis.
A viagem transcorreu sem maiores novidades, o calor continuava padrão "rally Paris Dakar". O interior da Argentina é fantástico nesta época do ano, em termos de temperatura!
Após cruzarmos Paraná, decidimos pegar a ARG 12, seguindo os conselhos da Revista Viagem e Turismo, em direção à Corrientes e Foz do Iguaçu. A estrada se mostrou um espetáculo e demos uma esticada até La Paz. Esta cidade fica no lado esquerdo da estrada, a cerca de 6 km. Paramos em um posto Shell para abastecer e perguntamos sobre hotéis. O frentista nos apontou um hotel e restaurante exatamente do outro lado da estrada, em frente. Fomos para lá e constatamos ser um excelente lugar. Jantamos no Restaurante e Hotel "Don Vicente", um excelente filé de surubim (um dos melhores peixes que comemos) e dormimos em apartamentos confortáveis. Tudo isto por U$ 32.00!
21/01/00 SEXTA-FEIRA - 14º DIA - LA PAZ GOYA - SALADAS - SANTA ROSA SAN MIGUEL - LORETO POSADAS FOZ DO IGUAÇU
(Odom. 13934 milhas) (990 km/dia)
Estradas: ARG 12
COMBUSTÍVEL: R$ 84.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 30.00
HOTEL: R$ 50.00
TOTAL(14): R$ 214.00
Neste dia saímos bem cedo, pois a pernada estava planejada em cerca de 1000 km e sabíamos que seria necessário parar várias vezes para descanso e alívio do calor. O asfalto se mostrava uma maravilha, sem curvas, buracos ou carabineiros!
Cerca de 110 km antes de Resistência, nas proximidades da cidade de Saladas, notamos que a ARG 12 tomava uma direção para oeste, contrariando a orientação que tínhamos para Foz do Iguaçu, que era leste. Paramos em um posto Shell e resolvemos perguntar, pois no mapa havia uma estrada que, aparentemente, cortava caminho. O gerente do posto nos informou que estávamos certos e que se utilizássemos aquela estrada encurtaríamos a viagem em uns 130 km. Perguntamos se a estrada era boa, pois nossas motos definitivamente não combinam com estrada de terra ou areia. Nos informou que havia somente um trecho de 5 km de terra batida mas que daria para passar tranqüilamente. Abastecemos as motos e, por volta das 12:30, com um sol de "rachar coco" pegamos a estrada que passa por Santa Rosa e San Miguel. Cerca de 15 km adiante, eu estava na frente e vi o trecho de terra aparecer, após uma curva suave. Reduzi a velocidade para uns 40 km/h e quando cheguei mais perto pude notar que aquilo não era terra e sim areia fofa. A adrenalina subiu e eu procurei controlar a massa da Ninja carregada, de cerca de 350 kg, de forma a reduzir a velocidade e não cair. O Guilherme, que vinha um pouco mais atrás, passou pela minha esquerda um pouco mais veloz e eu só tive tempo de dar uma rápida olhada e ver a roda dianteira de sua moto virar para a direita e escutar a Mariluci falar "eles caíram". Consegui parar a moto e falei com a Mariluci para correr lá e ajudar, enquanto eu procurava um lugar para apoiar o descanso lateral da moto, pois em todos os pontos em que eu apoiava, ele afundava. Finalmente achei um apoio confiável e corri para lá. Por sorte ele havia caído sobre um monte de areia mais fofa, não se machucando ou danificando a moto. O problema é que ele, ao cair, prendeu a perna direita da Elaine em baixo do cano de descarga da Vulcan. Ela chorava de dor e eu fiquei preocupado, pois pensava que poderia ter quebrado a sua perna. Procurei relembrar os ensinamentos de 1º socorros aprendidos na Marinha e passei a ponta dos dedos das mão sobre a sua canela, não notando qualquer anormalidade. Por sorte ela estava de botas de couro de cano longo, o que a protegeu do calor, caso contrário a queimadura seria inevitável e a visita a um hospital seria necessária. Após passar o susto, o Guilherme colocou a moto em posição e foi em frente, disposto a enfrentar o "areião" e não "ticar" mais nenhum tombo! Quando comecei a andar, vi que a tarefa não seria fácil, pois havia muitos trechos de areia bem fofa e controlar o peso da moto junto comigo, Luci e bagagens, exigiria muito cuidado. Não poderia deixar a moto inclinar, pois não daria para segurar! O sol castigava bastante, fazendo o suor molhar o rosto, como se estivesse participando de uma maratona. Coloquei uma 1ª e fui avançando, com o firme propósito de não cair! (não estava afim de arranhar a carenagem de minha moto!). A adrenalina se manteve alta mas conseguimos nos "safar" sem tombos! O macete é passar dentro dos rastros dos caminhões e não procurar as bordas da estrada, pois é onde a areia se acumula mais e é mais fofa. Saímos dali e paramos em um posto, cerca de 40 km adiante, para beber água e colocar gelo na canela da Elaine, que não teve maiores complicações. O susto foi maior que os danos!

Realmente, depois deste incidente, a estrada se manteve um verdadeiro tapete, não oferecendo nenhuma surpresa desagradável. Fomos tocando e, à noite, chegamos em Foz do Iguaçu, onde, na fronteira, resolvemos aceitar a indicação de um motoboy sobre um hotel, nos "escoltando" até o mesmo. Tomamos um bom banho e a noite de sono foi compensadora. O Guilherme e a Elaine "dormiram" ao som de uma discoteca que dava para o lado do apartamento deles. Mas o sono acabou falando mais forte!
22/01/00 SÁBADO - 15º DIA - FOZ DO IGUAÇU CASCAVEL - CURITIBA
(Odom. 14340 milhas) (649 km/dia)
Estradas: BR 277
COMBUSTÍVEL: R$ 38.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 40.00
HOTEL: R$ 50.00
TOTAL(15): R$ 128.00
Ficamos no hotel Santa Ana (Av. Costa e Silva 1850, perto da rodoviária ) que oferece um bom nível de conforto. Neste sábado eu e Luci dormimos até um pouco mais tarde, pois o Guilherme e Elaine tinham decidido ir à Ciudad del Este comprar uns "goods". Chegaram por volta de meio dia, resolvemos almoçar na Churrascaria "Boi de Ouro", que continua ótima e com excelente preço e por volta das duas horas saímos em direção à Curitiba. Tudo correu bem, valendo ressaltar que o trecho até Cascavel tem muita "costela", devido ao tráfego pesado de caminhões. Um ponto notável é a serra, nas proximidades de Irati. Muito linda e o asfalto está muito bem conservado. Detalhe: a estrada é toda pedagiada e moto paga R$0,60.
Chegamos em Curitiba à noite (22:00) e ficamos no Barigui Park Hotel, (041-335-6464), logo na entrada da cidade, em frente ao Parque Barigui. Bom hotel, ao preço de R$ 50,00 por casal.
23/01/00 DOMINGO - 16º DIA CURITIBA SÃO PAULO - APARECIDA
(Odom. 14722 milhas) (611 km/dia)
Estradas: BR 116
COMBUSTÍVEL: R$ 50.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 30.00
HOTEL: R$ 50.00
TOTAL(16): R$ 130.00
No outro dia, por volta das 10:00 saímos com a intenção de alcançar Taubaté ou alguma cidade por perto. Para encontrarmos a saída de Curitiba tivemos que perguntar umas duas vezes qual a "proa" a tomar, pois a saída desta cidade é meio enrolada. Mas sem maiores problemas alcançamos a BR 116 e tocamos para São Paulo. O sol continuava implacável e passamos a Marginal Tietê sem nenhum risco de treinarmos um pouco de "natação utilitária"!
Resolvemos pernoitar em Aparecida, onde chegamos por volta das 18:30. Não tivemos dificuldade em achar hotel pois a oferta é ampla e os gerentes fazem qualquer negócio para "fisgar" um cliente. Ficamos em um bem em frente à Basílica, recém construído, ao preço de R$ 30.00 o casal.
24/01/00 SEGUNDA-FEIRA - 17º DIA APARECIDA RIO DE JANEIRO SÃO PEDRO DA ALDEIA
(Odom. 14978 milhas) (409 km/dia)
Estradas: BR 116>BR 101>VIA LAGOS
COMBUSTÍVEL: R$ 28.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 15.00
HOTEL: R$ 30.00
TOTAL(17): R$ 73.00
Levantamos, tomamos café e não resistimos à vontade de entrar na Basílica, para agradecer a graça do excelente passeio e a proteção recebida, pois do imponderável somente Ele pode nos proteger!
A temperatura estava gostosa, com nuvens mas sem chuva, tornando a viagem super agradável. Chegamos em São Pedro da Aldeia por volta das 15:00. Tomamos um gostoso café mineiro feito pela mamãe e passamos a contar a nossa grande aventura!
Foram 17 dias, onde pudemos experimentar chuva, ventos, frio, calor e apreciar uma infinidade de imagens que estão guardadas em nossa memória! Foi a realização de um grande sonho para todos nós e, para mim e Mariluci, uma excelente base de informações para a próxima aventura, programada para 2002, que será uma viagem de carro, do Rio até Vancouver e Quebec, no Canadá, passando pelos EUA e América Central, num total de 40.000km e três meses de duração. Mas isto será outra história...!
Para esta viagem, levamos o seguinte material:
Não levei óleo. Saí de SP Aldeia com o óleo no nível máximo e no retorno, pude observar que o mesmo se encontrava um pouco abaixo do terço inferior do visor de vidro do motor. Ao trocar o óleo na semana seguinte, verifiquei que o mesmo havia baixado em quase um litro. A Vulcan queimou bem mais óleo que a Ninja, obrigando o Guilherme a colocar quase três litros ao longo da viagem.
RESUMO DA VIAGEM:
PERÍODO: 08/01/00( SÁBADO) A 24/01/00( SEGUNDA-FEIRA)
TOTAL DE DIAS: 17
MOTOS: KAWASAKI NINJA XZ-11/96 E VULCAN 750/94
TOTAL DE MILHAS: 5433
TOTAL DE KM: 8692
TOTAL GASTO: R$ 2696.00 ( U$ 1348.00)
TOTAL DE COMBUSTÍVEL( NINJA): R$ 708.37
TOTAL COM HOTEL: R$ 1178.00
TOTAL COM ALIMENTAÇÃO( EU E MARILUCI): R$ 597.00
MÉDIA DE CONSUMO DA NINJA: 19.5 KM/L
MÉDIA DE CONSUMO DA VULCAN: 16.5 KM/L
VELOCIDADE MÉDIA MANTIDA: 110 KM/H
SAÍDA: DIA 08/01/00, ÀS 05:00, DE SÃO PEDRO DA ALDEIA.
A NINJA COM 9545 MILHAS NO ODÔMETRO, ÓLEO E
FILTRO TROCADOS E PNEUS NOVOS.
FIM