O DISTÚRBIO DA ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE ATRAVÉS DO TEMPO

 


 

Thon Hartmann volta no tempo fazendo uma comparação com a era do homem caçador e a era da agricultura. O caçador primitivo, que não estivesse num estado mental de alerta a tudo, observando todos os mínimos movimentos do seu meio ambiente, estaria em grande desvantagem. Aquele pequeno movimento disperso poderia ser um coelho que necessitaria para seu almoço; ou o tigre ou urso esperando para fazer dele seu lanche... Se ele focalizasse sua atenção para um ponto intensamente, no caminho, poderia perder um outro detalhe no seu habitat, e fatalmente ele perderia sua caça ou seria ele próprio a caça. ..  O bom caçador seria o que teria a atenção dispersa em busca de qualquer movimento, diferença, varresse o ambiente com o olhar. Até o momento da caça hiperfocalizar sua atenção.

 

A sociedade moveu-se da caça para a agricultura, o homem necessita agora semear, regar e colher, tudo em sua época, e sua rotina, onde o agricultor não poderia perder sequer um único dia e passa a fixar sua atenção neste serviço e não podia se distrair dele, sob pena de perder a sua colheita.


A Impulsividade tem suas duas manifestações. O impulso que é no mundo de hoje o agir sem pensar, no passado refletia um rápido julgamento, ou rápida decisão.  Um outro aspecto da impulsividade é a impaciência. Um caçador pré-histórico descreveria a impulsividade de habilidade de agir e decidir, e desejo de explorar novas e inexploradas áreas.

 

Para um agricultor primitivo, a impaciência e impulsividade seriam um desastre. Se ele deixasse de diariamente acompanhar o crescimento da plantação, poderia perder a colheita.

Por outro lado os que "gostam de correr riscos" possuem a característica mais perigosa nos tempos atuais. Encontram-se muitos portadores de déficit de atenção entre a população carcerária, em grande número de problemas sociais, incluindo os delinqüentes juvenis e adultos desempregados.

 

Na evolução da história humana os caçadores foram postos de lado, isolados, mortos ou exilados. Os britânicos enviaram os "inadaptados" para a América e Austrália. Hoje, em algumas escolas, crianças com "déficit de atenção" são taxadas, estigmatizadas.

Certamente a sociedade atual dá preferência aos "agricultores", e as crianças quietas são recompensadas, no modelo do comportamento dos agricultores.

 

Com a revolução industrial, e a introdução dos mecanismos de repetição, a sociedade complementou o estilo agricultor. A primeira vista ser agricultor na sociedade atual é desejável, as agendas são acompanhadas, a grama cortada regularmente, as etapas da fábrica são desempenhadas dia após dia, regularmente e sem alterações. São, entretanto os "caçadores" os instrumentos  sociais de mudança e liderança.

 

Entre os caçadores e guerreiros do norte da Índia e Europa, rituais religiosos eram desenvolvidos e iriam ensinar a focalizar a atenção e concentração. Isto também acontece na religião católica, com a repetição do terço, servindo de feedback, lembrando constantemente o que deve ser feito não deixando a mente vagar. Os mantras e as meditações, também eram repetidos todos os momentos. As pessoas com déficit de atenção ou altamente distraídas, também criariam concentração com os rituais religiosos, o que as ajudaria a focalizar a atenção.

 

Focalizar a atenção é uma coisa que não viria espontaneamente nessas pessoas, aí pode-se ver um aprendizado de comportamento nessas culturas.

 

Os tibetanos budistas com suas práticas de meditação, tem o objetivo não de esvaziar a cabeça de pensamentos, mas deixá-la vazia para estarem conscientes completamente.

 

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