DISLEXIA
Ler é uma função do cérebro, assim como falar. A Dislexia é uma dificuldade na leitura e/ou na escrita que se manifesta por trocas de fonemas, inversões de fonemas e/ou sílabas, junções de palavras, omissões de fonemas, sílabas ou palavras.
As causas são variadas. Entretanto, os elementos constantes são sempre em relação a falhas de percepção visual e auditiva dos fonemas ou das palavras, além do conhecimento da língua.
Vamos analisar aqui a mecânica da leitura e da escrita. Ler requer uma certa maturação das estruturas do cérebro. Para que a criança aprenda a ler é necessário que ela seja exposta a um volume de palavras (vocabulário) e tenha um certo desenvolvimento auditivo e fonológico (consciência do som das letras ou fonemas).
As crianças não nascem com esses conhecimentos prontos. Vão adquirindo à medida que aprendem os sons, as palavras, as frases e a contar histórias. Vocabulário e conhecimento fonológico são aprendidos e quanto mais alto for o nível cultural e social do meio, tanto maior será esse amadurecimento. Requer um certo tempo para que a criança adquira conhecimento das letras, da língua e do mundo dos sons. A criança não deve entrar em processo de alfabetização com problemas de fala, pois irá acabar transferindo a fala errada para a escrita, por não ter o registro correto da palavra no cérebro.
Esses conhecimentos precisam formar um certo corpo das estruturas neurológicas, que vão se fortalecendo. O cérebro é mais ou menos especializado por áreas: área auditiva, área visual, área da linguagem. As aprendizagens da criança vão formando e enriquecendo estas áreas especializadas. Depois, essas áreas se comunicam com as outras áreas vizinhas formando cadeias secundárias de processamentos neurológicos.
Dessa forma, vemos que a idade não é a questão fundamental para o início da alfabetização, mas, sim, um certo amadurecimento da percepção auditiva, visual e conhecimento da linguagem. Outro fator importante é o interesse da criança pela leitura. Isto ocorre entre as idades de 4-5-6 anos.
O amadurecimento se dá conforme as várias oportunidades de exposição da criança a estes estímulos. Da mesma forma que proporcionando estes estímulos, ajudamos o cérebro a desenvolver-se. Reforçamos estas estruturas pela quantidade de “mesma espécie de estímulos”, reforçando a tese de que o cérebro aprende pela repetição.
O modo como o cérebro se desenvolve, parece mais compatível com o ensino das pequenas unidades específicas: fonemas, sílabas, palavras e depois as frases. Aliás, é assim também que se desenvolvem a fala e a linguagem da criança. A criança aprende primeiro balbucioando fonemas, depois diz sílabas, depois as palavras e por último as frases. É dessa forma que o cérebro funciona.
Quando, por algum fator, seja falta de estímulos suficientes, imaturidade, falhas no processo de alfabetização, métodos inadequados ou outro fator qualquer, estes processos não se desenvolvem bem, então ocorre uma falha na fixação dos fonemas. Começam as trocas, acréscimos, omissões ou inversões de fonemas e palavras. Há correntes que englobam a dislexia em um envolvimento maior como uma forma de ser e perceber o mundo, não sendo entretanto este meu pensamento e minha linha de trabalho.
O tratamento da dislexia, então, consiste em estimular e treinar as áreas de percepção visual e auditiva, fixar (memória), reforçar e treinar (repetição – o cérebro aprende pela repetição de estímulos) fonemas, palavras e frases, além de atividades de escrita e leitura. Ensinar a criança a ver e ouvir o som da letra, perceber como o som é produzido no próprio corpo (cinestesia), a forma visual que ele tem e o movimento que fazemos para “desenhar” a letra. Desta forma estaremos treinando 5 capacidades ou pistas de cada fonema. Associamos estas 5 pistas, estaremos reforçando as conexões cerebrais referentes aos fonemas, letras, palavras e frase. Fortalecemos a atenção das estruturas da leitura e escrita.
Envolvendo todas as áreas na mesma função, estaremos desenvolvendo bons leitores, minimizando a interferência de alguma área não otimizada. Evitaremos o mau processamento, no caso, a dislexia. Esta parece ser a forma de ensinar a leitura, que é mais compatível com a forma como o cérebro trabalha. Contrariamente, a forma como tem sido feita atualmente nos ensinos da leitura utilizando-se erradamente, em minha opinião, métodos globais. Infelizmente atualmente utiliza-se o processador de contexto (método por frases) que tem causado muitas dificuldades na aprendizagem da leitura, produzindo disléxicos e maus leitores.