Pareceres
"Foi com muito gosto que recebi seu belo e consistente trabalho sobre Villa-Lobos. Você continua a mesma pesquisadora diligente, refinada e incansável de quem um dia, já lá vão alguns anos, recebi na Funarte os originais que nos traziam de volta a vida e a obra de Jacob do Bandolim. Parabéns, mais uma vez, por sua inestimável e lúcida contribuição à música brasileira. Receba o carinho de seu leitor e admirador". Ivan Junqueira - Presidente da Academia Brasileira de Letras.
"Em sua obra, Ermelinda junta rigor acadêmico e ampla pesquisa com um texto acessível, em que ficamos sabendo que, na segunda década do século passado, muito jovem e empobrecido pela morte prematura do pai, Villa-Lobos vendeu livros raros que herdara para pagar uma viagem pelo Brasil".Beatriz Coelho Silva - O Estado de São Paulo.
"A autora é uma conhecida pesquisadora com numerosos trabalhos publicados, entre os quais o excelente estudo sobre Villa-Lobos, o educador (1989, MEC/INEP). A obra em apreço, em edição de luxo e com o subtítulo de Uma visão sem preconceito, apresenta vários pontos altos de bastante interesse, tais como os capítulos intitulados: ´As concentrações orfeônicas e a presença de músicos populares´, ´A frota da boa vizinhança´ e ´Estes brasileiros ilustres´, série de depoimentos por vezes altamente ilustrativos. [...] O belo livro de Ermelinda é fartamente ilustrado e teve a apresentação de Turíbio Santos, diretor do Museu Villa-Lobos há cerca de vinte anos, e do Dr. Luiz Pinguelli Rosa, presidente da Eletrobras. [...] Por todos esses motivos, recomendo sem reservas a leitura desta última obra da operosa musicóloga Ermelinda A. Paz". Vasco Mariz - Revista Brasiliana.
"Um dos melhores estudos sobre a face mais popular da obra do genial compositor, ´Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira - Uma visão sem preconceito´está sendo lançado nacionalmente. De autoria da professora carioca Ermelinda Paz, o livro traz, além do resultado de uma detalhada pesquisa documental, revelações, análises e importantes depoimentos sobre vida e obra de um artista inquieto, capaz de trafegar com a mesma desenvoltura pela música erudita, pelo samba e pelo choro. [...] Com a propriedade de quem se lançu a uma pesquisa minuciosa, a professora da UFRJ tece reflexões acerca da vertente mais popular de Villa-Lobos - e de como essa sua faceta se encontra ainda imersa em uma visão preconceituosa. [...] Percebe-se no livro um entusiamo pela obra de Villa-Lobos que vai além do tom mais formal que normalmente se esperaria de um trabalho acadêmico". Dalwton Moura - Diário do Nordeste, Caderno 3.
Quando faz a análise de sua extensa coleta de melodias modais, Ermelinda A. Paz entende que não basta fornecer materiais e exemplos. Desde o início da segunda metade do século XX, já se podia perceber mudanças qualitativas importantes na produção musicológica brasileira, apontando exatamente para o maior rigor analítico e conceitual que caracterizarão o trabalho de Ermelinda. Um certo sectarismo presente nos estudos do Padre José Geraldo de Souza (1959, 1969) não o impediu de dar ordenamento claro ao material que estudou, quase sempre sobre o foco da influência direta e imediata do Canto Gregoriano sobre o folclore nacional. Muitos textos aparecidos a seguir nas publicações do antigo Instituto Nacional do Folclore apontam para a mesma direção, trazendo contribuições importantes enquanto coleta mais ou menos sistematizada (e, por isto, mais confiável) do material dito folclórico e, em alguns casos, buscando ordenamento teórico ao mesmo tempo mais abrangente (capaz de relacionar realidades diferentes mas análogas e de estabelecer categorias teóricas mais claras) e formulação mais voltada para visão renovada da cultura popular. Talvez ainda estivéssemos longe demais não apenas dos modelos mais modernos da musicologia sistemática, mas também da nova visão etnomusicológica, que, pouco a pouco, virtualmente acaba com o campo do folclore, ao menos aquela visão romântica de folclore que ainda vigorava.
As preocupações pedagógicas da autora são responsáveis por detalhes da construção da pesquisa e da elaboração de seus resultados. A professora sabe que existem limites para o que não pode ser mais que coletânea de casos exemplares, razão pela qual é tão importante a proposição de critérios claros de seleção (a seleção de exemplos pode informar mais que listas de argumentos). Seleção e ordenamento, que permitirão dirimir dúvidas nem sempre solucionadas de modo cristalino e definitivo. Em análise musical, a melhor teoria pode guardar ainda parcelas importantes de ambigüidades. Mas pode-se criar categorias analíticas e estruturais, que expliquem e justifiquem aproximações e afastamentos. Por outro lado, a docente exigente foi levada a constatar óbvio pouco denunciado: as dezenas ou centenas de estudos teóricos sobre o modalismo musical brasileiro (o mesmo pode ser dito com relação a respeitados estudos publicados no exterior e sobre problemas musicais europeus, africanos e asiáticos) trazem como pecado mais básico o uso de terminologia indefinida e, por isto mesmo, de extrema imprecisão. Cada autor importa de tratados respeitáveis categorização e denominação dos modos, esquecendo-se de que tal categorização e denominação atende a requisitos teóricos que precisam ser claramente explicitados. Em razão disto, não é de todo incomum que o mesmo modo receba denominações diferentes (saídas de diferentes fontes), sem que o autor se dê conta de que utiliza-se de categorias diferenciadas. Tendo claro para si o problema, não foi difícil estabelecer-lhe solução, conseguida através da série de Anexos I, II, III e V, que apresentam quatro diversas classificações e permitem visão comparativa de grande riqueza. O Anexo VI, por seu lado, faz inventário útil da terminologia adotada na literatura para definir ocorrências modais, aproximando conceitos dispersos e permitindo visão comparativa que facilita a compreensão do aluno.
A coletânea de material procedência da música popular urbana contribui para mostrar a forte presença do modalismo nesta área de produção musical, assim como para ajudar a estabelecer liames com os modelos modais da área folclórica. Estudos mais abrangentes sobre a música popular urbana cobrirão lacunas que possam ser encontradas e ajudarão a entender o processo de construção musical – e, obviamente, de recepção musical – do populário urbano e da música rural de consumo.
À vasta coletânea de melodias dos universos ditos folclórico e popular, o trabalho acrescenta boa seleção de música religiosa católica e evangélica de cunho claramente modal. No que se refere ao fenômeno católico, o fenômeno é facilmente explicável. Como se sabe, desde o início da segunda metade do século XX, nasceu forte corrente de renovação litúrgica (sem nenhuma conotação qualitativa dos aspectos musicais da produção da época, nem quanto à adoção simplificadora de modelos popularizantes ) que, em música, iria chamar-se o canto pastoral. Instituiu-se que a verdadeira brasilidade vinha do Nordeste, e análise mesmo superficial mostra que percentual enorme do produto de meio século de canto pastoral tem cara modal e jeitão nordestino. O que quer dizer, ao mesmo tempo, que a constituição de amostragem exemplar não constitui tarefa complicada, porque as músicas se parecem enormemente. Caberia a pergunta: há forte incidência de compositores de origem nordestina? Sabe-se que a maior parte da produção foi feita por amadores e semi-profissionais, muitas vezes seminarista e padres, que compunham para comunidades definidas e acabavam por ser aceitos em comunidades maiores, sobretudo quando eram vencedores de concursos da própria CNBB. Mas a origem nordestina não era determinante, uma vez que a literatura folclórica – inclusive a produzida pelo canto pastoral – encarregava-se de identificar os nordestinismos com o caráter mesmo da música brasileira.
No caso da música evangélica, nota-se que o fenômeno é bastante mais complexo. São muitas as dissertações de Mestrado produzidas nas duas últimas décadas do século XX que tratam da estrutura administrativa do ministério de música de diversas denominações protestantes e, indiretamente, fazem análise do repertório utilizado no culto. Estes estudos acentuam o caráter conservador de determinadas denominações, que têm hinários tradicionais que vão sendo reeditados seguidamente, garantindo uma identidade musical determinada. Mas eles mostram também que algumas denominações têm atitude mais dinâmica e promovem a produção de novos repertórios, nos quais o emprego de estereotipias do nacional podem atuar como a tendência aos modelos nordestinos notada na produção do repertório do canto pastoral católico. Pode-se perguntar também se, nos casos católico e evangélico, a busca de modelos mais próximos da chamada música popular urbana não privilegiaria uma produção que tende a refletir os lados mais primitivos da música rural, ela mesma relacionada com modelos de procedência mais distante, com forte influência dos modalismos folclóricos.
Não deixa de ser rico, igualmente, o mostruário de exemplos tirados de músicas eruditas de procedências as mais diversas, mas sempre refletindo postura estética nacionalista que privilegia o folclore. No que me concerne, apareço citado por causa de uma obra que deu muito o que falar no fim dos anos 60, através de duas versões realmente autônomas: a Missa do Povo e a Missa de São Benedito (esta última, para solista, viola de arame, tamba e Coro duplo de vozes iguais, que teve Clementina de Jesus, eu mesmo na viola, Hélcio Milito, Coral H. Stern e regência de Antônio Lage, em temporada iniciada na Sala Cecília Meireles e continuada em mais de trinta concertos nos mais diversos locais). O modalismo desta missa é mais que evidente, e busca ter cara mais mineira que nordestina. Mas não deixa de ser curioso que, em apresentação recente, dei-me conta do caráter altamente modal – e formalmente “fechado” e tradicional – de uma obra eletro-acústica de 1971, chamada Un-x-2. Todo o sistema de alturas obedece a uma lógica modal clara, que dá à obra uma unidade sonora que não teria sido assegurada apenas pelos aspectos tímbricos.
Para concluir, quero dizer que este estudo de Ermelinda A. Paz pode ser mesmo visto como uma autêntica proposta de Teoria da Música, e não apenas uma antologia de apoio à chamada teoria musical, de finalidade prática e educacional, como material de apoio a exercícios de solfejo ou de análise musical, ainda que, sobretudo para a análise musical, o ordenamento da matéria e a clarificação da terminologia técnica represente contribuição importante. Mas certamente a proposta vai mais longe e se introduz no campo da musicologia sistemática e da teoria da música, revelando-se como um dos primeiros estudos a organizar dentro de tais categorias o material modal que bem exemplifica as músicas tradicionais, populares e eruditas brasileiras". José Maria Neves (2002) Professor Emérito da UNIRIO
Esta é a mais ampla coletânea de melodias modais já produzida no País e inclui abundante material proveniente da música folclórica e erudita, da religiosa e da leiga. Oferece também ao estudioso um levantamento extenso de obras que usam os modos na sua construção, colocando assim à disposição de todos indicações de farto material para a pesquisa de quem quiser aprofundar seus conhecimentos a respeito.
Aqui encontramos também um levantamento exaustivo da terminologia técnica nesta área de estudo relativamente nova entre nós. O levantamento e confronto de termos e denominações usados pelos autores na teoria dos modos contribuirá para a sedimentação da linguagem e dos conceitos nesta área de conhecimento.
Este trabalho pioneiro chega para dar vida, beleza, diversidade, sabores e coloridos mágicos dos modos ao cotidiano de nossos educadores musicais e à criação de nossos compositores, num momento em que a mídia eletrônica na promoção comercial de produtos descartáveis impõe ao povo a baixa qualidade artística, o esvaziamento melódico, uma música centrada quase exclusivamente em pulso rítmico repetitivo e uma organização sonora que serve apenas de fundo e apoio aos apelos visuais.
Esta obra é produto do evidente carinho da autora pela música brasileira no que ela tem de mais marcante e sedutor e pela sua convicção profunda da importância desta música para a cultura brasileira.
Sinto-me feliz ao poder abraçar e parabenizar a autora por esta nova produção." Hélio Sena. Musicólogo e Professor Adjunto IV da UNI-RIO.
Como conseqüência, a autora oferece, nesta edição, a proficiência de um trabalho amadurecido, que agora se apresenta a um tempo seletivo e abrangente, organizado de maneira a contemplar as várias áreas de influência modal, seja a de tradição popular folclórica, de concerto, litúrgica ou popular.
Encerra, sem dúvida, um significativo material a ser utilizado pelos vários segmentos de estudo onde o modalismo aparece como elemento inquestionável na construção da nossa música." Maria Aparecida Antonello Ferreira. Mestre em Ciência da Arte pela UFF e Profª de Percepção Musical da Escola de Música da UFRJ
Significativa, desse ponto de vista, é a presença ostensiva desse modalismo brasileiro em dezenas de obras de compositores não só do nordeste, mas notadamente do sul e do sudeste.
Oxalá esse trabalho possa ensejar os desdobramentos que certamente o tema permite e sugere." Edino Krieger. Compositor, produtor e crítico musical.
"Esta coletânea de canções folclóricas brasileiras foi organizada para aplicação no ensino da música. Contém 500 canções selecionadas e classificadas para servir de material de trabalho nos diferentes capítulos de Percepção Musical. Assim, os elementos estudados na Teoria Musical, bem como cada dificuldade rítmica ou de entonação, habitualmente encontradas nas aulas de Solfejo, têm aqui seu grupo de canções para exercício.
Mas por que folclore? Esta é a música que o nosso povo cria e preserva em sua memória. Ela jorra da vivência do homem brasileiro, de seus movimentos, de sua voz e por isto encerra os traços mais profundos de sua alma, seu jeito de ser, seus anseios e símbolos inconscientes. Desde o passado remoto estas formas musicais se segmentam, se cristalizam, se purificam no sentir cotidiano de nossa gente e ganham a história como componente importante da identidade nacional
Simplicidade, clareza e sobriedade são qualidades inerentes a toda a música folclórica. Mas no Brasil esses traços coexistem com extraordinária riqueza de formas.
É ponto pacífico que a educação musical deve ser feita com base num material artístico variado e cuidadosamente escolhido, que inclua o folclore, ao lado dos melhores exemplos da música erudita universal Sobre os benefícios da utilização do folclore, podemos dizer que:
1. é uma excelente música e traz para as aulas muita beleza com o conseqüente prazer de cantar, em substituição ao aborrecimento dos exercícios técnicos destituídos de musicalidade, tão em voga nos manuais à venda por aí.
2. favorece a integração comunitária do músico, ligando-o a seu povo, à sua história e facilitando a ação social de sua música.
3. contribui para a preservação da identidade cultural do país.
Esta proposta nada tem de inédita. Desde meados do século passado, com o surgimento do nacionalismo musical, grandes compositores com Glinka, Rimski-Korsakov e Wagner insistiam na importância das fontes populares como base e matéria-prima de toda a criação musical A partir de então vemos crescer continuamente o prestígio do folclore na educação musical até a importância superlativa que a canção folclórica assume no trabalho pedagógico de Kodaly e Orff.
No Brasil o código lingüístico do folclore musical se transfere para a música urbana comercial e erudita, fazendo-a extrapolar para novas e surpreendentes dimensões. A seresta e o samba, o baião e o choro são descendentes diretos de gêneros tradicionais de nossa música. Em Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Villa-Lobos, Radamés Gnattalí e em todos os nossos grandes compositores, o vigor e originalidade da criação musical são indissociáveis do seu componente étnico. Entretanto, os mecanismos desta transferência se situaram sempre nas ocasiões de vivência comunitária e na transmissão oral. Isto é, correm por fora do ensino formal da música. Até à metade de nosso século, salvo raríssimas exceções, nas salas de aula se combatia a presença da música brasileira. A estética oficial sempre foi a da elite, que, voltada para os valores estrangeiros, alimenta uma visão depreciativa de tudo o que vem do povo, considerando o folclore como sinal de atraso e subdesenvolvimento. Até então a preservação da tradição musical brasileira estava garantida e não corria qualquer risco de debilitamento. Isto porque as camadas populares, espalhadas pela vastidão do território nacional, formavam redutos impenetráveis de preservação e resistência.
Nas últimas décadas, entretanto, esse quadro sofre drástica transformação. Assistimos o enfraquecimento e a extinção das manifestações folclóricas em todo o país. Com a aceleração da industrialização e da urbanização, grandes contingentes da população são deslocados para novos contextos e adotam novos hábitos culturais. Exatamente nesta fase ocorre o avanço da produção seriada de música, as gravações fonográficas e a expansão avassaladora dos veículos de comunicação de massa, levando a reprodução mecânica de música a cada lar brasileiro.
Em todo esse período, importantes transformações se dão sem qualquer planejamento cultural, numa política oficial de terra arrasada em que, ao invés do fomento à produção cultural do homem brasileiro, vigora o critério único do lucro imediatista da indústria multinacional, mais interessada em colocar no mercado seus enlatados musicais. Para isso muito contribuiu a censura aos artistas, a repressão à livre expressão e à participação política do povo nos anos de ditadura. Como conseqüência, a evasão abundante de divisas pela importação de música se combina com a crise de emprego entre nossos músicos. Dá-se em muitas regiões a total ruptura da continuidade cultural. Hoje temos emissoras que tocam 98 por cento de música em idioma estrangeiro, ao mesmo tempo vemos que nossas crianças já não cantam cirandas e nossos jovens ignoram quem são Chico Buarque ou Milton Nascimento.
A arte é um reflexo da vida e pode mobilizar as pessoas para a transformação da realidade. O artista funciona como órgão sensor e expressivo da sociedade. Por isso é fundamental que ele se identifique pelas causas e pela linguagem com o seu povo.
Todos sabemos que a identidade cultural é o principal fator de coesão de um grupo. Povo que perdeu sua identidade é mais fácil de ser dominado. Por isso é que recebemos com alegria os trabalhos que visam trazer para o ensino formal o maravilhoso acervo do folclore nacional. Não se trata de ensinar folclore, mas de usá-lo onde se fizer oportuno, para que sua riqueza soda destilada na sensibilidade das novas gerações nutrindo-as e energizando-as. Na atual situação, esta produção didática, realizada com tanto esmero sobre as raízes mais profundas da música brasileira, é um ato político em afirmação da soberania cultural de nossa gente. Congratulo-me com a autora." Hélio Sena. Apresentação do livro 500 Canções Brasileiras, p. 10-11
MELCHIOR
Cumo podremos prouar si es homne mortal
o si es rei da terra o si celestrial?
BALTASAR
Queredes bine saber cumo lo sabremos?
Oro, mira, í acenso a el ofrecremos:
si fure rei de terra, el oro quera;
si fure omne mortal, la mira tomara;
si rei celestrial, estes dos dexara,
tomara el encenso qual pertenecera.
GASPAR E MELCHIOR
Andemos i assi fagamos.
(Escena II, Ms. Vono 9, fol. 67v., Biblioteca Nacional de Madrid)
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