BR GIBB - DISCOGRAFIA COMENTADA |
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| Uma visão opinativa sobre a discografia oficial dos Bee Gees |
LIVING EYES (1981) Decidi escolher este disco para iniciar esta seção por ser um dos melhores e ao mesmo tempo um dos menos conhecidos álbuns dos Bee Gees. Tudo o que envolve este trabalho é interessante. A começar pelo contexto histórico em que ele está inserido. Em 1979, os Bee Gees ainda eram o grupo de maior sucesso do planeta. Haviam encerrado uma grande turnê mundial e estava na hora de trabalhar em um novo disco. Em função do ainda grande assédio da imprensa e do próprio público, todo o processo de gravação foi cercado por enorme esquema de segurança, até para evitar a repetição do que já havia ocorrido com o álbum Spirits Having Flown, que teve o lançamento antecipado porque seu conteúdo foi roubado e vazou para as rádios antes do previsto. Pelo menos é o que dizem.
Em 1981 finalmente saiu o álbum. No Brasil, a repercussão foi nenhuma. No exterior, muito depois eu viria a saber, as críticas foram extremamente negativas. Talvez os críticos tenham se surpreendido com o estilo das músicas, totalmente diferente dos dois trabalhos anteriores, inclusive quanto à divisão dos vocais entre os três irmãos. Era, na verdade, uma volta ao passado, com baladas e músicas solo, quase sem os falsetes que predominaram até então. Para os Bee Gees a onda disco estava devidamente sepultada. Este álbum era uma resposta a quem entendia que eles eram os “reis da discoteca”.
Infelizmente, a resposta não foi entendida. O álbum não repercutiu e os Bee Gees subitamente passaram do status da principal atração mundial para um grupo mal visto. A decepção foi tão grande que nem mesmo eles consideram esse álbum: raramente há uma canção extraída dele para as coletâneas e nenhuma de suas músicas jamais apareceu em um show. Eles próprios ignoram o disco, alegando apenas que “esse trabalho traz mais perguntas do que respostas”.
Para quem gosta de boa música, o álbum Living Eyes, no entanto, é uma fonte de belas canções e interpretações impecáveis. É apontado por boa parte dos fãs, inclusive eu, como um dos melhores trabalhos do grupo. É um álbum obrigatório na discografia de quem admira os Bee Gees. Destaco a música Be Who You Are, uma interpretação impecável de Barry Gibb, alternando com extrema facilidade graves e agudos. A faixa título em outras épocas também seria um hit. He’s a Liar foi a faixa de trabalho, tendo sido lançado um compacto interessante, ainda encontrável nos sebos: de um lado a versão instrumental; de outro, a versão original mas com um introdução mais longa, muito bonita aliás.
O CD não foi lançado no Brasil, mas a versão japonesa não é muito difícil de ser encontrada. Basta procurar nos lugares certos.
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