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Histórias, curiosidades e lembranças de minha trajetória como admiridador dos Bee Gees

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Lembrando um gênio

Gostaria de prestar uma homenagem ao único artista que considero no mesmo nível dos Bee Gees. E tenho certeza que eles próprios compartilham dessa opinião. Afinal, foram eles mesmos que me “indicaram” esse músico.
Estou falando de Roy Orbison, uma das maiores influências na carreira dos Bee Gees e de tantos outros gênios da música mundial.
Roy Orbison é um artista completo: compõe canções maravilhosas e tem uma voz perfeita, única. Sua carreira começou no final dos anos 50. Orbison foi contemporâneo de Elvis Presley, amigo de Carl Perkins e sempre se destacou pela genialidade de suas composições. Iniciou cantando rock, mas logo descobriu sua vocação para o pop de muitíssima qualidade.
Sua composição mais conhecida é Pretty Woman. Mas ele é autor de outros grandes sucessos, como Crying (grande hit no Brasil na voz de Don Mclean, outro gigante da música), It’s Over, Only The Lonely, You Got It e In Dreams (uma das cinco melhores músicas de todos os tempos, tema do filme Veludo Azul).
Nos anos 60, Orbison atingiu o auge, realizando turnês pelo mundo todo, inclusive ao lado dos Beatles. Infelizmente, também nessa época foi vítima de duas tragédias que certamente alteraram o rumo de sua carreira: em 66, sua mulher morreu em um acidente de moto. E em 68 Roy perdeu os dois filhos quando sua casa foi destruída por um incêndio.
Embora tenha retomado o trabalho pouco tempo depois e se casado novamente, por coincidência ou não sua popularidade entrou em declínio. Atravessou a década de 70 quase anônimo. Nos anos 80, iniciou um processo de recuperação sem precedentes. Com a ajuda de músicos famosos, como Bono, do U2, voltou aos palcos e finalizou o fantástico álbum Mistery Girl. Infelizmente, quando tudo levava a crer que Roy Orbison explodiria novamente, em dezembro de 1988 ele morreu vitima de um ataque cardíaco. Seu último disco foi lançado um mês após sua morte. Aclamado pela crítica, tornou-se o álbum mais vendido da carreira de Roy Orbison, com 7 milhões de unidades.
Uma dica: o DVD Roy Orbison Anthology traz vários depoimentos de Barry, Robin e Maurice falando de seu ídolo. Aos fãs dos Bee Gees, recomendo imensamente conhecer o trabalho de Roy Orbison. A maioria das coletâneas disponíveis nas lojas traz as principais canções. Acho difícil alguém ouvir e não se apaixonar.

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Jogo dos 7 acertos

Em primeiro lugar, quero dizer que não acredito em numerologia nem me considero supersticioso. Mas não posso deixar de notar que na trajetória dos Bee Gees destacam-se os trabalhos lançados nos anos terminados em 7.
Tudo começou em 1967, quando foi lançado o álbum First. Não foi, como o nome faz crer, o primeiro álbum do grupo. Foi, isso sim, o primeiro lançado internacionalmente. E, para três irmãos que ainda ensaiavam a consolidação de uma carreira na Austrália, o disco fez um grande sucesso em diversos países, principalmente no continente europeu. Subitamente, os Bee Gees se tornaram astros internacionais, conquistando uma legião de fans no mundo todo.
O ano de 1977 dispensa maiores comentários. Os Bee Gees vinham de um processo de retomada de sua carreira, após momentos difíceis. A oportunidade aberta pela trilha sonora do álbum Saturday Night Fever foi o empurrão que faltava para conferir aos Bee Gees o status de principal grupo musical da segunda metade da década de 70. Vários recordes foram quebrados em 77 e milhões de novos fans conquistados. Foi o auge de um grupo que já tinha na oportunidade longa experiência e um trabalho anterior muito consistente.
Repetindo a rotina que viria a se tornar o próprio retrato da carreira dos Bee Gees, marcada por altos e baixos, a partir de 1980 novamente eles mergulharam no esquecimento. Este foi um período particularmente difícil, pois houve enorme e injustificável perseguição por parte da mídia e até do publico. Em 1987, finalmente o carma começou a ser eliminado. O álbum ESP, lançado naquele ano, não é primoroso. Mas teve o mérito de trazer o grupo de volta aos programas de televisão, fazendo até certo sucesso comercial. A música de trabalho, You Win Again, além de ter um excelente desempenho nas rádios de quase todo o mundo, levou os Bee Gees a diversos programas importantes, como o especial a Nelson Mandella, o concorrido Prices Trust e até a cerimônia do Grammy Awards.
Finalmente, o ano de 1997 foi um dos melhores na carreira dos Bee Gees. O álbum Still Waters teve certamente a repercussão mais positiva que um trabalho do grupo havia conseguido desde 1980. Chegou a ser considerado por alguns fans o melhor álbum entre todos os lançados pelos irmãos Gibb. Exageros à parte, sua performance comercial foi excelente no mundo inteiro, inclusive nos Estados Unidos, mercado em que os Bee Gees sempre enfrentaram enormes resistências. Além disso, nesse ano os Bee Gees receberam alguns dos mais importantes prêmios internacionais pelo conjunto de sua obra, como o Brit Awards, American Music Awards, World Music Awards e Rock`n`Roll Hall of Fame.
Bons tempos. Sem dúvida todos estes anos foram importantes para os Bee Gees. Fico esperando agora o que vai acontecer em 2007.

Na idade da pedra

Com o desinteresse histórico da imprensa brasileira pelos Bee Gees, temos na internet uma fonte de informações indispensável. Aqui podemos acompanhar quase que diariamente a rotina profissional – e até pessoal – de nossos ídolos.
Mas nem sempre foi assim. Navegar pela internet hoje é um processo tão natural e automático que para muitos, principalmente os mais jovens, é difícil se lembrar que ela não existia.
Gostaria de contar minha experiência pessoal com a falta de informação. Em 1979, os Bee Gees ainda eram o grupo de maior sucesso no mundo. Era impressionante ligar o rádio e ter a certeza de que pelo menos uma vez por hora tocaria uma música do novo álbum (no caso, Spirits Having Flown). Nos jornais e na televisão também surgia uma ou outra referência periódica.
Parecia que assim iria ser por muito tempo. Em 1980, naturalmente, as possibilidades do disco se esgotaram e ficamos aguardando mais um grande sucesso. Que não veio. Simplesmente não se ouvia mais os Bee Gees no rádio. Simplesmente não se lia nada sobre eles e, muito menos, podia-se vê-los na televisão. Sumiram.
O que teria acontecido? Para mim, esse era um mistério. Não havia como saber o que eles estavam fazendo. Passei todo o ano de 1980 acreditando que eles haviam se recolhido para finalizar um novo álbum. O que, na prática, era verdade. Mas eu não sabia. A boa notícia surgiu com o álbum Guilty, de Barbra Streisand. Um grande sucesso no Brasil, o que me fez crer que o sonho não havia acabado.
Mas havia. Veio o ano de 1981 e nada. Na época, a rotina era muito simples: a música tocava no rádio, fazia muito sucesso, você ia à loja e comprava o LP (lembre-se, também nem se sonhava com CDs). Embora o álbum Living Eyes já estivesse nas ruas, nada foi dito sobre ele no Brasil e nenhuma de suas músicas foi executada pelas rádios. Nas poucas vezes em que estive numa loja de discos naquele ano também não encontrei o disco que, aliás, eu nem sabia que existia. Conhecia a discografia dos Bee Gees até 1979, graças a uma edição especial sobre o grupo da revista Rock Espetacular, que ainda guardo com muito cuidado.
Em 1982 também poucas novidades. Heartbreaker, com Dionne Warwick, também foi sucesso. Mas, afinal, onde estavam os Bee Gees? A resposta surgiu apenas em 83. Numa manhã, ouvindo rádio em casa, começou a tocar Woman in You. Me lembro até hoje. Estava com o dedo no botão para desligar o aparelho quando ouvi a voz de Barry. A espera terminava. Finalmente eu tinha resposta para três anos de dúvidas. Os Bee Gees ainda estavam vivos e juntos. É verdade que o sucesso com o qual eu estava acostumado havia ficado para trás. Mas lá vinha um novo trabalho. Poucos dias depois, fui atrás do disco e encontrei também o Living Eyes. Foi uma surpresa descobrir que havia sido lançado um trabalho dois anos antes sem qualquer repercussão. Sai da loja feliz, com dois discos novos para ouvir.
Infelizmente essa história continuou se repetindo em 1987 e 1989. Em 1991, com a abertura do país às importações, dei um pouco mais de sorte. Em uma loja de CDs, achei um High Civilization importado. É claro que eu não sabia que este álbum existia. Demorou alguns meses para que saísse a versão nacional.
A partir daí, conheci uma pequena comunidade de fãs em São Paulo, com quem trocava correspondências e um fanzine. Felizmente, já era possível ter informações atualizadas. Depois, veio a internet. Essa parte você já conhece.


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